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  • Ingrid Miranda

Aquele de quando eu chorei no trabalho

Atualmente eu trabalho de forma remota. É o meu segundo emprego nos EUA de forma legal, em uma empresa grande e com um peso bacana no meu currículo. Embora minha função não seja relacionada à Moda - trabalho como RH, e estou aproveitando bastante essa oportunidade para aprender nossas skills.


A minha equipe é muito acolhedora, e a maioria das pessoas está sempre disposta a sanar minhas dúvidas e a contribuir de alguma forma para o meu desenvolvimento nesse no cargo. Trabalho fazendo contato interno, com o objetivo de colher informações para manter o ambiente de trabalho o mais seguro possível contra o COVID.


Outro dia, porém, peguei uma pessoa que estava em um dia ruim. Liguei para esse funcionário que, desde o minuto 1, já estava agindo de forma grosseira. A conversa seguiu, e ele continuou agindo de maneira rude e tendo um comportamento extremamente mal educado. Eu queria terminar o atendimento, mas aquilo foi ficando cada vez mais difícil. Desliguei a ligação e não pude me conter: comecei a chorar.


Eu entrei em um estado de pânico, chorando e tremendo muito. Tentei me acalmar, mas aquela situação tinha me afetado de forma intensa, e aqui estão os principais motivos:


#1 Eu não gosto de ligar

Eu nunca gostei de fazer ligações. Se você me conhece, sabe que eu nunca ligaria para você a não ser que algo urgente tivesse acontecido - ou muito tempo tivesse passado desde o nosso último contato, e as fofocas são muito longas para uma mensagem de texto. E, geralmente, também não atendo ligações: gosto de esperar pela mensagem de texto que eu posso ler de forma rápida e saber sobre o que se trata.


Esse emprego está sendo um treinamento maravilhoso para a forma como eu lido em fazer contato com outras pessoas. Estou diminuindo minha ansiedade de ver um número me chamando na tela inicial do meu celular, e também estou lidando melhor com a maneira 'desconhecida' que a outra pessoa vai atender à ligação.


#2 Eu sou muito exigente comigo mesma

Eu tenho dois anos morando nos Estados Unidos, sou casada com um americano e o inglês é parte da minha rotina desde a hora que eu acordo até a hora em que eu vou dormir. Ainda assim, sou extremamente insegura, e sensível, com o meu inglês. Como aprendi o idioma meio que de forma independente, eu sempre me pego misturando um pouco da gramática e errando coisas tolas, mas que me incomodam muito até hoje.


Quando essa pessoa teve uma reação tão hostil com a forma como eu estava tentando fazer o meu trabalho, aquilo abriu espaço para meus fantasmas virem à tona. Eu sei que a forma como ele reagiu comigo fala mais sobre quem ele é como pessoa do que sobre mim, mas me doeu muito sentir essa desaprovação com o meu inglês, que é tão importante pra mim.


#3 Eu me importo muito com a opinião alheia

Okay, isso é outra coisa que eu PRECISO mudar pra ontem! Eu sou realmente muito sensível à críticas e à forma como as pessoas pensam de mim.


Quando esse episódio aconteceu no trabalho eu fiquei muito mal. Me doeu pensar que outra pessoa estava me julgando de forma depreciativa pela forma como eu falo; me doeu pensar se aquilo iria refletir de maneira negativa na minha perfomance geral no trabalho; me doeu pensar se aquele episódio iria abrir uma janela para julgamentos em torno do meu inglês ser apenas minha segunda língua - e não o meu idioma nativo.




Depois de me acalmar um pouco após essa ligação péssima que eu tive, eu liguei para minha companheira de trabalho que conseguiu me ajudar a terminar todo o atendimento e seguir com o trabalho pelo dia. Minha gerente também foi extremamente gentil, e me foi informado que ações seriam tomadas em relação àquela experiência que eu tive.



De toda forma, eu entendo que o que me abalou não foi aquela pessoa em específico, mas o que aquele episódio desencadeou em mim de acordo com meu próprio julgamento pessoal. A culpa não foi dele, mas minha.


Quando viemos para outro país, precisamos reconhecer que nem sempre as pessoas estarão abertas para nos compreender. Por mais que seu segundo idioma seja fluente, ele nunca será nativo - e seu sotaque aparecerá de uma forma ou de outra.


Algo que estou trabalhando é em compreender que eu não sou americana (rs é sério), mas uma imigrante (sem nenhum tom depreciativo, mas sendo honesta). Não posso exigir de mim mesma me expressar em inglês assim como os nativos daqui, ou ter as mesmas experiência profissionais como os meus novos amigos - que nasceram e estudaram aqui.


Acho que é justamente essa diferença que me faz especial. E me ensina a ser muito grata às pessoas que me tratam com gentileza e paciência, me ensinando a agir da mesma forma quando eu estiver do outro lado dessa moeda.


Sim, eu chorei um dia no trabalho. Mas foram lágrimas necessárias para abrir meus olhos para a forma como eu estava me tratando, exigindo de mim algo além do que eu sou capaz no momento. E tenho certeza que todos nós já passamos por perrengues no trabalho, seja pelo nosso idioma ou não!



E você, já teve alguma experiência parecida?

Me conta nos comentários!

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